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2015

As Aventuras de Uma Geek Com Deficiência na @CCXPoficial

Vocês já estão cansados de saber aqui no blog, tem um monte de post aqui porque eu simplesmente não consigo parar de falar sobre o assunto, mas com a notícia de que David Tennant viria para a Comic Con Experience, em São Paulo, uma das primeiras coisas que eu fiz foi comprar minha credencial e as passagens, porque eu iria de qualquer maneira tentar conhece-lo.

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Eu, já na cadeira, e a Maria Lourdes, companheiríssima na aventura!

Mas como vocês também já devem saber, eu sou uma pessoa com deficiência. Eu não tenho vergonha nenhuma disso e já até postei um pouco da minha história aqui. Mas também não é algo que eu fale sobre toda hora, porque é apenas uma circunstância entre tantas outras da minha vida e na maioria das vezes nem entra muito na história.

Porém, em eventos grandes como é a Comic Con Experience, eu sempre fico apreensiva, porque ser uma pessoa com deficiência nessas horas acaba fazendo uma diferença enorme e se não houver nenhum tipo de apoio por parte dos organizadores do evento, fica quase impossível aproveitar alguma coisa. Por exemplo, eu não consigo ficar muito tempo em pé numa fila, canso com muita facilidade de ficar andando, tenho problemas de equilíbrio…

Eu estava bem preocupada sobre como a parte de fila preferencial ia funcionar por lá. Tinha tentado perguntar antes para os organizadores, mas de maneira impressionante, só obtive o silêncio como resposta. Sério, eu literalmente não tive resposta nenhuma, e tentei entrar em contato através do site oficial, da página do Facebook e do Twitter.

Apesar de tudo isso, logo que cheguei na estação de metrô Jabaquara para pegar o transporte até o local do evento, pedi preferência (a fila para entrar no ônibus estava enorme) e fui atendida sem nenhum tipo de problema. Eles até pediram para dar espaço na frente do ônibus para ficar mais fácil para mim.

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Eu tentando entender como a cadeira funcionava. Isso foi outra grande aventura!

Já no local do evento, achei que estava tudo meio longe, mas até a fila depois do credenciamento, aguentei normalmente. Novamente, tinha fila preferencial. O problema maior era a grande distância entre esse primeiro local e a entrada principal da Comic Con, que além de dar uma boa caminhada, ainda tinha um monte de desníveis. Acabei passando mal no meio do caminho e as minhas amigas que estavam comigo tiveram que pedir para que fosse chamado os bombeiros para me levar o resto do caminho de cadeira de rodas. Até eles encontraram dificuldades para me levar, porque tinha um monte de obstáculos.

Mas fui extremamente bem tratada e, já lá dentro, me deixaram pegar uma dessas cadeiras motorizadas. Ainda bem, o local é enorme e eu teria me cansado muito rápido. Fiquei esperando na entrada até as 10h, quando abriu pra todo mundo. Um monte de gente saiu correndo para já entrar na fila do auditório Cinemark. Não dá pra negar que David Tennant era sim a principal atração do evento na sexta-feira.

Como eu não poderia nem correr nem ficar aguardando de pé na fila, fui com as minhas amigas me informar. Todos os membros da organização com os quais conversamos foram unânimes: eu entraria, com a cadeira motorizada e tudo, pela entrada lateral e seria direto. Não precisaria enfrentar fila. Isso para mim foi um baita alívio.image (5)

Em todos os estandes que tinha fila também consegui me utilizar desse direito, sem ser questionada. Pode parecer estranho eu estar enfatizando isso, mas posso garantir que não há nada pior do que se sentir constrangida por ter que pedir preferência em filas, apesar de saber que o direito existe exatamente porque de outra forma eu não teria acesso a quase nada. Porém, isso não é um privilégio, e sim um direito.

Foi por isso que consegui as pulseirinhas para o autógrafo com a Krysten (e o autógrafo surpresa com o David Tennant também). Na fila dos autógrafos, também consegui estar na frente, eu, minhas amigas e minha fiel companheira, a cadeira motorizada.

E na hora de ir embora, saí por um lugar diferente, uma saída para os expositores que contava com um serviço de táxi do próprio evento (ou seja, não tinha custo) que me levou de volta para a entrada principal, para que eu não tivesse que fazer aquele caminho de volta onde eu havia passado mal de manhã.

Por tudo isso, tenho que agradecer a equipe da CCXP que estava sempre a postos. Li relatos de gente que não teve uma boa experiência, mas eu não posso reclamar de nada. Fui muito bem tratada por todos e em nenhum moment0 me senti constrangida. Consegui aproveitar muito o dia porque a CCXP estava preparada para dar o apoio que eu precisava.

Para muita gente, pode parecer besteira. Mas existe um motivo pelo qual a lei é clara ao determinar a existência de filas preferenciais, vagas em estacionamento e todo o resto: elas são essenciais para nós, que temos que fazer uso delas. Não é frescura, não é privilégio. Eu adoraria conseguir ficar mais tempo em pé. Realmente, não deve ser agradável ficar horas numa fila, e nós temos que encontrar maneiras de melhorar isso para todo mundo, mas não ter nem a opção é muito pior. Sentir o controle do próprio corpo esvair-se é muito pior. E por isso eu sou grata à lei que me garante preferência e mais que isso, por isso eu me utilizo desse direito.

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4 Comentários
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Chell
5 anos atrás

Achei digníiiissimo seu texto! Fico feliz que neste evento tenham te respeitado. Mas na hora que você começou o post pensei: aquela entrada era muito longe. Ainda bem que te ajudaram porque até pra quem tava andando a coisa era longe, imagina pra vc! Ainda bem que resolveram tudo e você aproveitou bacana o evento =D

Cecília Maria
5 anos atrás

Acho de extrema importância esse tipo de post, Mari. Importante pra gente conhecer que tipo de empresa/evento/pessoa realmente faz valer a lei e oferece todo o apoio que deficientes (ou não!) precisam. E infelizmente, é realmente impressionante como a gente só dá a devida importância a isso quando tem alguém próximo que possui alguma necessidade especial. Eu tive uma tia que sofreu um avc muito cedo e passou 1 ano dependente de cadeira de rodas e foi só aí que a família inteira percebeu a importância de não estacionar na vaga de cadeirante, por exemplo, ou da necessidade de uma… Ler mais

Mauricio
Mauricio
2 anos atrás

Ola, sou deficiente visual e queria saber se twrwmos isso esse ano? Vou pela 5 vez e nos dois ultimos anos eu fui super bem tratado.