13
07
2021

Romances de Banca e Fanfic – Como Comecei a Ler Romances

Olá! Esse é um post da blogagem coletiva sugerida pelo blog Mulher Vitrola. O tema “eu fui, eu tava” sugere um passeio pelas nossas memórias, por isso decidi contar um pouco da minha história como leitora. Há muito tempo atrás, fiz um post sobre isso, mas faz tanto tempo que decidi contar essa história de novo. Porém, dessa vez vou relembrar como comecei a ler romances, sejam de época, contemporâneo, hot, safados ou qualquer outro. Dentro do gênero romance, em alguns casos, o hot ainda é um subgênero bastante controverso. Alguns chegam a chamar livros que tenham cenas descritivas de sexo de “pornografia literária” o que é um absurdo. Mas é óbvio que sexo escrito por mulheres e para mulheres seria visto como algo inferior, não é mesmo? Se não é para os olhares masculinos, simplesmente não é bom o bastante. E nesse post, pretendo contar como passei por tudo isso lendo romances de banca e fanfic e hoje leio esse tipo de livro sem nenhum peso na consciência.

Romances de Banca

Eu era muito nova quando comecei a ler romances. Tive uma vó que comprava aqueles romance de banca, tipo Sabrina ou Julia, em sebos e lia com uma frequência assustadora. Como resultado, na casa da minha vó, sempre tinha uma pilha deles. E eu todo domingo pegava um ou outro para ler. E para quem nunca leu um daqueles livrinhos, eles são muito rápidos de ler. Às vezes eu lia dois no mesmo dia. Eles são curtos e bem fluidos. Por isso, já muito nova, eu estava acostumada a ler vários durante a semana.

Agora, não sei se foi a idade certa para ter contato com esse tipo de literatura. Hoje talvez eu esperaria um pouco mais para começar a ler sobre esses assuntos, mas na minha vida, foi como aconteceu.

Como eram editados e publicados.

Eu acho super interessante os títulos que eram e ainda são dados para esses romances. Quase nunca tinha relação com o conteúdo do livro. Pelo contrário, era um título bem genérico. Inclusive por isso eu brincava que eles tinham uma roleta para sortear o nome do livro antes de publicar. Alguns, como esse “Boa noite, Cinderela”, ficavam bastante duvidosos.

Esse aqui não envelheceu bem não.

Aliás, a mesma coisa acontecia com a imagem da capa. Essas eles tinham um pouco mais de cuidado, mas não muito. Acho que devia existir um banco de imagens dividido por assuntos, como “bebês”, “areia/deserto” e “sensuais”. Aí eles procuravam essas palavras chave no sumário e pronto: estava escolhida a foto da capa.

Apesar disso, não estou criticando. Grandes autoras hoje já foram publicadas nesses romances de banca. Logo, existe sim grandes histórias sendo contadas nesse formato mais barato.

Inclusive os primeiros romances de época que eu li foram romances de banca. Há alguns anos, esse subgênero não era visto como algo rentável para as editoras brasileiras e por isso eles eram publicados somente nesse formato. Levou um bom tempo para eles serem editados como livros para serem vendidos em livrarias e ainda mais para serem expostos. Antes, eram motivo de vergonha. Não é por acaso que ainda existam leitoras que chamam esse tipo de leitura de guilty pleasure, ou seja, prazer culposo.

E vou deixar algo bem claro aqui: eu não sinto culpa nenhuma de ler esse tipo de romance. E, embora eu concorde que algumas capas sejam exageradas, ainda assim não tenho problema com elas.

Harry Potter

Mas, continuando minha história, mais ou menos na mesma época, comecei a ler Harry Potter. E isso pode parecer um pouco sem conexão com tudo que contei até agora, mas espere. Logo tudo fará sentido. Ler Harry Potter moldou muito minha vida de leitora. E eu digo isso como alguém que sempre amou ler. Fico feliz em saber que para muitos da minha geração, Potter foi a porta de entrada no mundo dos livros, mas eu já estava lá há tempos quando a série começou a fazer sucesso.

Apesar de não ter sido o que me encantou para o mundo dos livros, ler Harry Potter me apresentou para uma comunidade. Embora eu lesse bastante, foi com Harry Potter que eu tive outras pessoas para comentar sobre a leitura, pela primeira vez. Isso ainda quando a internet começava a fazer parte da minha vida: de forma discada e depois da meia-noite ou aos fins de semana, isso quando ninguém precisava usar o telefone fixo de casa. Que aliás era o único tipo de telefone existente, já que celulares só se tornariam populares em alguns bons anos.

Relembrando o começo da Internet – Eu Fui, Eu Tava

Porém, nessas poucas horas que eu ficava conectada, eu procurava sobre vários assuntos que me interessavam, num site de buscas chamado Cadê? ou, quando queria me aventurar em páginas em inglês, no Altavista. Alguns de vocês mais novos podem se espantar, mas… existia internet antes do Google.

Para somar a tudo isso, quando comecei a ler Harry Potter, a autora só tinha escrito os quatro primeiros livros. E entre a publicação do quarto para o quinto, foram anos. Talvez não tantos, mas para quem estava doido para saber o que aconteceria agora que Voldemort havia voltado… bem, valeu como se fosse uma década.

Então, comecei a procurar na internet sobre fóruns e outros lugares onde as pessoas comentassem sobre Harry Potter. Inclusive, foi a época que conheci o Aliança 3 Vassouras e o Not As A Last Resort, onde conheci amigas que tenho até hoje. E também tive contato com o conceito de ships dentro desse universo. Como eu já shipava Harry/Ginny e Ron/Hermione, passei a procurar mais sobre o assunto. E aí descobri as fanfics.

Lendo Fanfics

E comecei a ler muita fanfic. Inclusive, foi quando me aventurei a começar a ler em inglês. O que foi ótimo, pois quando o quinto livro foi finalmente lançado, eu já estava familiarizada o bastante com os termos para ler em inglês sem nenhuma dificuldade. Mas começar a ler fanfic foi um caminho sem volta.

Assim, entre romances de banca e fanfic, a ideia de relacionamentos amorosos acabou se solidificando como uma ótima leitura para mim. Ainda lia muita fantasia e até sci-fi, porém foram romances de banca e fanfic que realmente deram início ao meu amor por esse tipo de literatura.

Falando Sobre Romance Em Geral

Três livros, romance de banca.

Reconheceu o nome? Sim, Suzanne Enoch hoje tem seus romances de época publicados por grandes editoras. Mas ela foi publicada primeiro na banca.

É uma pena que romances sejam vistos de forma inferior por alguns críticos de literatura. E aqui englobo todo o gênero romance, não só aqueles com cenas hot. Essa ideia é especialmente falha quando você conhece o gênero e o envolvimento das escritoras e leitoras de romance em questões políticas, por exemplo. Na eleição dos EUA, o empenho da chamada romancelândia foi impressionante.

Entretanto, a maior parte dos críticos literários ainda é do sexo masculino. É portanto impossível para eles entenderem como algo que não foi escrito tendo eles como público alvo pode ter qualquer valor cultural. O machismo ainda tem uma força imensa no que é considerado de valor e no que é considerado apenas uma diversão.

Enfim, não vou entrar muito nesse mérito. Eu sempre defendi e vou continuar a defender esse gênero literário e seu imenso valor para a literatura. Porém, esse post era mais para contar sobre como eu cheguei aqui e porque falo tanto sobre meus romances no blog. E essa é minha história sobre a importância dos romances de banca e fanfic na minha vida.

Qual é a sua história como leitora? Como você chegou ao ponto em que está hoje?

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Blogagem Coletiva do blog Mulher Vitrola.

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1 Comentário
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Vitrola
4 meses atrás

Eu sempre via esses romances de banca e até já li alguns (algum dos mais conhecidos, não tenho certeza qual foi) e realmente, eles tinham uma pegada bem fluida de leitura. Um tempo foram como “ofensa”, né? Quem lia algo do tipo era visto como um leitor descompromissado com títulos e pouco sábio, o que eu acho uma grande bobeira. Eu amei a história das suas leituras, me levou de volta à quando eu ia nas bancas de jornal e era um universo que eu amava! Parabéns pelo post e fiquei muito feliz com sua participação 🙂
Beijos,
Re