06
07
2021

Ice Planet Barbarians: O hype é merecido?

Olá, meu nome é Mariana e eu li os cinco primeiros livros da série Ice Planet Barbarians para que você não precisasse fazê-lo. De nada, aliás. Mas brincadeirinhas à parte, sim, eu li os cinco primeiros da série de livros que virou modinha no booktok gringo. E todo o hype se deve ao fato de que a história é, como podemos dizer… polêmica. Isso porque são livros hot, com cenas bem detalhadas, de mulheres humanas com aliens de mais de dois metros de altura. Que são azuis e que tem chifres e rabo. E isso por si só já chama bastante atenção, mas a história não para por aí. Porém, como existem vários detalhes para serem discutidos, eu vou apresentar a história aos poucos e vou conversando enquanto vamos descobrindo, ok? Mas logo de cara, aqui vão os gatilhos dessa série: estupro, abuso sexual e violência. Leve em consideração isso antes de decidir ler os livros.

E sim, eu editei a capa do primeiro livro nessa foto, o que não costumo fazer. Mas eu precisava que vocês entendessem exatamente aonde estão se metendo. E sabe quando você olha uma capa e pensa: não pode ser o que eu estou pensando? Nesse caso, é exatamente o que você está pensando. Ou seja, a capa é consistente com o conteúdo.

O Cenário de Ice Planet Barbarians

Para todo mundo entender o cenário: mulheres de 22 anos são abduzidas por alienígenas (que são de espécies diferente dos protagonistas) e tratadas como animais para contrabando. Levadas em uma nave espacial por esses aliens, são inclusive punidas e abusadas sexualmente por seus raptores. Logo no começo do livro, uma cena descrevendo essa punição faz o estômago embrulhar. É forte.

Algumas dessas mulheres estão dentro de cápsulas, hibernando. Outras, porém, estão acordadas, dentro de uma jaula, nas piores condições possíveis. Elas planejam se rebelar, porém, antes de levar o plano em diante, a nave em que estão passa por problemas técnicos. Os aliens então jogam sua carga de contrabando num planeta qualquer, para depois buscá-las.

A Chegada ao Planeta Desconhecido

As mulheres, claro, não ficam paradas dentro desse compartimento e uma delas, Georgie, acaba sendo a escolhida para explorar o planeta e quem sabe buscar ajuda. O planeta é extremamente gelado, o que leva Liz, uma delas, a batizá-lo de Not-Hoth, uma referência ao planeta de Star Wars.

Georgie acaba encontrando uma tribo de aliens, os Sa-Khui. Sim, nós finalmente conhecemos os tais dos aliens enormes, azuis e tarados. Aliás, a primeira vez que Georgie vê um deles, ela acorda de um desmaio e encontra um deles dando prazer a ela… oralmente. Lá embaixo. Estou usando eufemismos aqui, mas você deve ser adulta(o) o bastante para entender do que estou falando.

Se você não é, talvez esse post e os livros não sejam apropriados para a sua faixa etária.

O Khui e a Ressonância

A tribo dos Sa-khui é composta em sua maioria de homens, então eles ficam bastante entusiasmados quando descobrem que chegaram fêmeas que podem reproduzir com eles e garantir a continuidade da tribo. E como eles sabem disso? Porque esse alien que encontrou a Georgie, o Vektal, ele ressonou com ela.

Para sobreviver a um elemento que existe na atmosfera de Not-Hoth, os sakh e também as humanas, tem que colocar dentro de si um parasita simbionte, o khui. Esse khui traz várias vantagens para seu hospedeiro, como uma melhor adaptação ao frio extremo do planeta, ajuda a saúde e se machucado, a curar o machucado mais rápido.

Mas uma das funções mais importantes do khui é que quer propagar a espécie. Encontrando um parceiro que seja compatível, o khui ressona. Isso quer dizer inclusive estimular o hospedeiro para que haja atração sexual até o momento que seja atingido o objetivo: a reprodução.

No fim das contas, as mulheres tem que aceitar o khui para sobreviver em Not-Hoth e logo outros pares são juntados pelos seus khui. Cada livro conta a história de um casal ou a continuação da história de algum deles. São 22 livros na série e pelo que eu vi, todos estão disponíveis no Kindle Unlimited, que foi como eu li os cinco primeiros, inclusive. Os livros ainda não foram traduzidos oficialmente para o português.

Sobre as Concepções Erradas Sobre Ice Planet Barbarians

Uma das primeiras coisas que li sobre a série é que ela romantizaria estupro. E embora algumas cenas sejam problemáticas, como por exemplo a primeira vez que Georgie vê Vektal, não sei se concordo com essa afirmação.

Acho que hoje em dia algumas críticas igualam romantizar o assunto com escrever sobre o assunto. O problema não é descrever cenas e situações onde coisas ruins acontecem, mas sim a maneira como essa cena é tratada no livro, filme ou série, se há consequências. Simplesmente eliminar de toda produção cultural cenas problemáticas é ainda pior, pois parece que os problemas não existem.

Consentimento entre o sa-khui e as humanas

Digo isso porque nos relacionamentos entre as humanas e os sa-khui a discussão de que deve existir o consentimento da parceira existe. Forçar algo com a parceira sem que ela aceite é algo sujeito à punição. O Raahosh, personagem principal do segundo livro, é condenado ao exílio por ter sequestrado a Liz, humana com quem ele ressonou. E isso porque quando a tribo encontra o casal, eles já se acertaram e a Liz fica brava porque é separada dele.

O Rukh, do quarto livro, é um personagem tipo o Tarzan, mas sem os gorilas para ajudá-lo. Cresceu isolado, até esqueceu como falar. E ele mal entende o que é ressonar. Por isso, ele sequestra a Harlow e basicamente a arrasta para a caverna dele. Porém, ao tentar acasalar com ela, ao entender a palavra não, ele para imediatamente. Ele não entende porque ela não quer, mas como ela não quer, ele não faz.

Sinceramente, uma lição sobre consentimento melhor do que muito romance por aí.

A fantasia criada em Ice Planet Barbarians

Outro ponto é que Ice Planet Barbarians é uma fantasia. Não só no sentido de uma fantasia sexual, mas também no sentido de que a história acontece num mundo completamente diferente do nosso. Os parâmetros mudam, as justificativas para as ações dos personagens também. Não acho justo exigir dos personagens atitudes como se eles vivessem em uma sociedade humana. Aliás, para mim, é muito mais prejudicial um filme como 365, que aí sim existe uma romantização clara de estupro. Não se preocupem, os sa-khui dão de dez a zero nos Massimo da vida. Não há nem comparação.

Conversando sobre o Khui

Meu maior problema ao ler os livros é em relação ao khui, a desculpa que a autora inventou para justificar tanto sexo. Porque essa história da ressonância (uma tradução livre dessa que vos fala) acaba minando muito o consentimento de todos eles. Como o khui estimula sexualmente o corpo do hospedeiro para garantir a procriação, ele tira a capacidade da pessoa de dizer não. E porque a tribo dos sa-khui reverencia tanto a reprodução, já que sem a ressonância não há novos bebês, eles não discutem a escolha do khui. E nem sempre os casais que ressonam são felizes, inclusive em alguns casos existe o parceiro do khui e o parceiro do coração. Os pais do Raahosh e do Ruhk são um exemplo disso. Tanto que o pai deles sequestrou a mãe, que tinha um parceiro do coração, mas a tribo determinou que ela tivesse mais um filho com o parceiro do khui.

Aliás, família estranha essa.

Minha experiência de leitura

Eu comecei a ler Ice Planet Barbarians achando que ia ser sacanagem alien em cima de sacanagem. Mas me surpreendi, pois existe um enredo sci-fi por trás disso. A autora se preocupou em criar justificativas para tudo, como por exemplo, como os sakh chegaram àquele planeta, como descobriram que para sobreviver precisavam do khui, etc. Ruby Dixon criou um universo para os seus personagens, uma história para cada um deles.

E aí encheu a história de sexo.

Inclusive, criou os sa-khui para serem instrumentos perfeitos para dar prazer às humanas. Seja o tamanho (grande), a textura (eles tem estrias na pele, na língua e lá embaixo) e na forma, pois o membro masculino tem uma protuberância em cima que me fez lembrar um daqueles brinquedinhos Rabbit. Aliás, se me perguntarem qual a cor do amiguinho que a Ruby Dixon tem na gaveta do lado da cama, eu chutaria azul, com certeza.

Mas quando você se acostuma com o absurdo, confesso que as cenas de sexo acabam ficando um pouco cansativas. E como vocês sabem, eu leio muitos livros com cenas hot, então não tenho problema com isso. Porém quando cheguei ao quinto livro, me peguei querendo pular essas cenas para tentar entender o enredo mesmo. Apesar de Ice Planet Barbarians ser uma série com uma leitura super fluida e serem romances curtos, não sei se quero continuar. Pode ser que sim, mais pelo enredo, e como o forte mesmo são as cenas de sexo, acho que preciso de um tempo.

Aliás, os cinco primeiros livros que eu li foram: Ice Planet Barbarians, Barbarian Alien, Barbarian Lover, Barbarian Mine e Ice Planet Holiday.

Vale a pena? O hype é merecido?

Agora, se você estiver curiosa(o), leia. Não fique se sentindo culpada(o). Talvez você ache uma porcaria, absurdo demais para o seu gosto, mas pode ser que você se divirta. E às vezes, tudo o que a gente precisa é de um pouco de diversão, sem ter que se preocupar com mensagens profundas ou sobre ensinamentos. É uma fantasia, não é para ser levado a sério.

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2 Comentários
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Lucy
2 meses atrás

Eu estou chocada por ser uma série de mais de 20 histórias!!!
Eu fiquei pensando nesse lance do Khui, ele meio que tira o livre-arbítrio, é quase como um estimulante e um boa noite cinderela.
Eu sei lá, gosto de azul, mas acho que pra tudo tem limite… hauahuahau
Essa autora se inspirou em Avatar, só pode.