09
04
2019

International Guy – Audrey Carlan

Há um bom tempo atrás, falei aqui sobre a série A Garota do Calendário. A mesma autora escreveu essa outra série chamada International Guy. Aliás, a Verus, editora responsável pela publicação no Brasil, manteve o mesmo nome. A série é composta por doze livros bem curtos, no mesmo estilo de A Garota do Calendário. Aqui, ao invés de nomes dos meses do ano, os títulos são nomes de capitais ao redor do mundo. E, bem, quer saber o porquê disso? É só continuar lendo o post.

Título Original: International Guy
Autor: Audrey Carlan
Editora: Verus
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A História de International Guy

Primeiro de tudo, eu confesso: ao contrário do que fiz com A Garota do Calendário, não li todos os livros. Aliás, li os dois primeiros apenas: Paris e New York. E já vou logo avisando que acho que não vou ler o resto.

Mas vamos começar explicando a proposta do livro. International Guy acompanha a história de Parker Ellis, que tem uma agência dedicada a ajudar mulheres poderosas com qualquer coisa que elas precisem. Cada livro acompanha as aventuras dele e de seus dois amigos que compõem a agência e de suas clientes.

No primeiro livro, eles ajudam uma rica herdeira, Sophie, que deve assumir a empresa do pai que faleceu. Sophie precisa mostrar que tem capacidade para assumir a função e inspirar o respeito dos seus diretores. Para isso, Parker e seus amigos deverão ajuda-la com sua autoestima.

No segundo livro, a cliente é uma famosa atriz por quem Parker tem uma paixão desde sempre. Skyler Paige tem tudo… mas está perdendo a vontade de fazer qualquer coisa. Inclusive de atuar. Por isso, sua agente contrata a International Guy, na esperança que Parker e seus amigos possam ajuda-la a reencontrar sua paixão.

E foi depois desse que eu parei de ler. Por quê? Calma, eu explico.

Explicando minha implicância

Minha implicância com a série começou logo na primeira página. Diacho, acho que foi no primeiro parágrafo. É ali que Parker, do alto de sua arrogância masculina, explica como descobriu um grande segredo para lidar com as mulheres. É simples: cada mulher é diferente.

CARACA, É SÉRIO ISSO? O cara se acha o máximo por ter descoberto que mulheres são… pessoas? Claro que cada mulher é diferente da outra. Quão arrogante você precisa ser para achar isso uma grande descoberta?

Continuei a ler mas não consegui deixar de comparar com A Garota do Calendário. Para mim é óbvio que a autora quis fazer uma versão masculina daquela série. Porém, acho a premissa de A Garota do Calendário muito mais convincente do que a de International Guy. Afinal, uma mulher passar a ser acompanhante de luxo para pagar as dívidas de jogo do pai é algo muito mais real do que uma agência que foca em ajudar mulheres ricas e famosas.

E foi aí que as perguntas começaram.

O que seria essa agência? Uma agência de relações públicas? Mas eles se colocam como mais do que isso. Aliás, os serviços deles são muito mais pessoais do que qualquer agência que mexe com RP que eu já conheci. Como eles conseguiriam as primeiras clientes? Honestamente, não consigo entender como uma agência dessas iria existir no mundo real.

E deixando isso de lado, ainda tenho mais um grande problema com essa premissa. Veja bem, Sophie, a herdeira de Paris, está preparada para assumir o cargo. Ela fez os cursos certos, ela sabe do que está falando, ela conhece a empresa. Ela é mais nova que a maioria das pessoas nessa situação, mas mesmo assim, ela sabe o que está fazendo. Mas é insegura. E qual é a solução para o seu problema? Um homem.

Desculpa, mas tem algo muito errado nisso. Não é nem que esses homens são preparados profissionalmente para isso, como por exemplo terem uma graduação em psicologia. O que fazem eles capacitados? Aparentemente, o simples fato de serem homens e terem muita, mas muita vontade de ajudar.

O fato de que esses são livros hot e portanto, nos dois primeiros, Parker se envolve sexualmente com suas clientes só torna a situação ainda pior. A impressão que dá é que essas mulheres, que já são lindas e poderosas, só descobrem seu verdadeiro potencial pelo poder de um pinto mágico.

Nossa, acabou?

Resolvi escrever esse post porque sei que muitas de nós acabam lendo esse tipo de livro e amando. Afinal, são histórias cheias de glamour e riqueza. Nos transportam para um mundo diferente. Mas será que a gente não devia ser mais crítica com aquilo que lê?

Romances hot são uma ótima leitura para quem quer se desligar do mundo e ninguém tem que ter vergonha de gostar de ler. Mas nós devemos sim exigir um pouco mais. Devemos pensar na posição que a personagem principal se coloca.

Claro que muita gente pode discordar da minha leitura. E tudo bem. Mas gostaria que nós, leitoras, começássemos a pensar mais nisso.

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Lucy

Mari, adorei saber sua opinião sobre essa série. Eu fiquei na dúvida se lia ou não, mas cheguei a desistir. Bom saber que foi uma decisão sábia.
Bjos
LUcy

Michelle

Olá tudo bem, não conhecia o livro, confesso que leio pouco o gênero, entretanto adorei sua opinião e coragem de fazer a resenha sincera, isso faz toda a diferença na minha opinião e concordo com você sobre independente do gênero sermos um pouco mais exigente em relação a algumas publicações, beijos!

Kênia Cândido

Oi Mari.

Adorei sua opinião. Realmente os Romances hot são uma ótima leitura para nós desligarmos do mundo, mas tem história que são exageradas demais. Eu tenho os livros A Garota do Calendário, mas ainda não li. Eu também estava com vontade de adquirir essa série, mas pela sua opinião eu fiquei com uma pulguinha atrás da orelha. Vou pensar melhor. Parabéns pela resenha e obrigada pela dica.

Bjos
https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

Aline

Oi! Confesso que li tantas resenhas negativas sobre esse livro que já afastei a possibilidade de leitura. Entendo e respeito, que histórias assim têm muitos leitores, que gostam e que fazem ter sucesso, porque vende muito, é verdade, mas eu não consigo me interessar. Enfim, mesmo assim obrigada pela resenha!

Bjoxx ~ Aline ~ http://www.stalker-literaria.com

Tay Meneses
Tay Meneses

Confesso que não gosto muito dessa escritora, até tentei gostar, mas não rolou. A forma como ela conduz as coisas me irrita, sem falar os personagens dela, também mais hora menos hora me irritam. Enfim, a escritora me irrita. Quando li que você tinha lido toda a série A garota do calendário confesso que fiquei surpresa, mas quando você começou a enumerar seus desagrados sobre essa nova série não me surpreendi. Mas enfim, eu não gosto dela, embora muitos gostem!

Lívia Neves

Faz um tempinho que li A Garota do Calendário, mas gostei da escrita da autora. Guy eu não conhecia ainda, mas fiquei curiosa por você ter falado que a ideia é uma versão feminina da outra série de livros.
Só espero não pegar ranço do Parker, porque sou exatamente como você e esse tipo de atitude me incomoda muiiito.

PS Amo Leitura

Gostei muito da sua sinceridade na resenha. Fiquei me perguntando como você conseguiu finalizar a história apesar da sua implicância hahaha. É um livro que não me desperta tanto interesse e agora, depois da sua resenha, vai continuar fora da lista 😡 Parabéns pela resenha.

Mara

Oi, Mari! Eu ate hj não conclui a série A Garota do Calendário, ainda me falta os 3 últimos livros, quando vi essa, confesso que fiquei bem desestimulada, pois mesmo sem ler pensei: uma versão masculina? Ninguém merece, eu nem iniciei e nem vou, admito! Li o primeiro da série Trinity e essa sim, eu pretendo concluir!

Tânia Bueno

Ser espontaneamente sincera é uma qualidade fantástica e adorei conhecer a sua opinião sincera. Concordo com você quando coloca que ninguém precisa ter vergonha de ler hot, mas podemos sim assumir uma postura mais crítica eu amo livros do gênero, mas faço as minhas análises críticas também, às vezes até compreendendo comportamentos tidos como “inadequados” por alguns/algumas leitoras. Por exemplo, fiz uma análise psicológica de Christian Grey de 50 tons e tb de Gideon do Toda Sua e pasme entendo o comportamento deles que deram uma reviravolta.

Adorei sua resenha.

Bjos
Tânia Bueno