08
09
2017

Acabei de Ler: A Revolução das Mulheres – Mindy McGinnis

Esse não é um livro fácil de ler. Aliás, escrever sobre ele, sabendo que seu tema é tão intenso, também não é fácil. Fui pega de surpresa com a leitura, seus personagens e o desenvolvimento da história. Em A Revolução das Mulheres, Mindy McGinnis nos apresenta uma situação muito comum. Porém, utilizando-se de teorias da evolução, nos mostra como a violência contra a mulher pode afetar a sociedade. É uma obra extremamente ousada nesse sentido, especialmente por ser dirigida a adolescentes e jovens adultos. E eu venho aqui contar porque essa leitura foi, para mim, um soco no estômago.

 

Título OriginalThe Female of the Species
AutorMindy McGinnis
Editora: Plataforma21
Páginas: 344
AdicioneSkoob | Goodreads

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14
11
2015

Pelo Direito de Ser Quem Eu Quiser

Estava eu navegando na internet por esses dias, quando num instagram de uma blogueira até bem famosa, me deparo com a seguinte mensagem:

Num mundo cheio de Kardashians, seja Diana.

Num mundo cheio de Kardashians, seja Diana.

E aí isso me incomodou. A mensagem obviamente implica que ser uma Kardashian significa ser menos do que ser uma Diana. E como todos nós sabemos, as Kardashians são rotuladas pela mídia como espalhafatosas, usando roupas que mostram demais o corpo, publicando fotos nas redes sociais seminuas e por aí vai. Logo, a mensagem era “é melhor ser clássica e comportada do que ser desesperada por atenção”.

Mas aí eu lhe pergunto: por que? Obviamente, as mulheres comparadas na imagem acima são bem diferentes uma da outra. Vivem estilos de vida bem diferentes. Mas o que exatamente define que é melhor ser uma Diana do que ser uma Kardashian?

Mais ainda, pensando na vida que elas levaram/levam, o que seus comportamentos acabaram por definir em suas vidas? Dá para a gente determinar se Diana, em sua curta vida, foi mais ou menos feliz que Kim Kardashian?

Mas claro que para a nossa sociedade, é melhor ser uma Diana. Aguentar calada as humilhações impostas e tentar sempre sair por cima, porém sem provocar escândalos. Veja bem, não estou aqui dizendo que ela estava errada. Apenas que a maneira como ela agiu talvez funcionasse para a vida dela, mas isso nunca vai significar que ela era melhor que Kim Kardashian ou qualquer uma de suas irmãs.

E sim, uma Kardashian incomoda muito mais que uma Diana. Ao usar as roupas que quer, emitir suas opiniões de uma maneira muito mais direta e procurar sua felicidade de uma maneira não convencional, as mulheres acabam tendo esse efeito na sociedade. A sociedade em que vivemos coloca mulheres que se comportam como Diana num pedestal, simplesmente porque elas não enfrentam suas regras.

No fim do dia, sabe o que vai te fazer feliz? Ser quem você é. Se você gosta de roupas mais clássicas, se prefere lidar com seus obstáculos de maneira mais discreta, se um meio sorriso diante de uma opinião atravessada é mais a sua cara do que discutir com todas as suas forças… Maravilha. Seja essa pessoa porque é assim que você é. Lembre-se porém de que as suas opiniões importam, então não deixe ninguém te fazer de capacho.

Por outro lado, se você fala alto, gosta de roupas mais provocantes e de usar uma maquiagem mais pesada, se você se admira e gosta de publicar fotos mostrando as suas curvas… Vá em frente. Não deixe ninguém pensar menos de você por isso. O seu corpo é seu, e você escolhe o que quer fazer com ele. Você e mais ninguém.

E adivinhe só? O MUNDO NÃO SE DIVIDE EM DIANAS E KARDASHIANS, EM BOAZINHAS E MÁZINHAS. Pelo contrário, cada pessoa pode ser quem quiser ser, de acordo com suas convicções. Se não vai interferir diretamente na vida de outra pessoa, por favor, seja quem você é. Só tem um de você no mundo.

arrumei

Num mundo cheio de Kardashians, seja quem você quiser ser.

Pronto, arrumei.

07
03
2015

Feliz Dia da Mulher – Mas Por Que Não Existe o Dia do Homem?

Dia 08 de Março é, como vocês sabem, o Dia Internacional da Mulher. E, como todo ano, nós, mulheres, chegamos a esse dia para ganhar rosas de estranhos na rua ou para ouvir brincadeirinhas do tipo “por que não existe um Dia do Homem?”. Eu adoro como até no Dia Internacional da Mulher os homens conseguem fazer o assunto ser sobre eles. Troféu joínha pra eles.

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Feliz Dia da Mulher para Rose e Jackie Tyler, que acabam sendo alvo de tantos comentários machistas do fandom de Doctor Who.

Então, feliz dia do “Oh lá em casa!” ou o simples “Gostosa!” para você mulher, que passa na rua cuidando dos seus afazeres e tem que ouvir isso. PIOR, tem que achar que isso é elogio. Considerando que nenhum homem em sã consciência acredita que a mulher vai parar para conversar com ele (quem dirá agarrá-lo apaixonadamente no meio da rua) e que nenhuma mulher em sã consciência vai acreditar ter encontrado seu príncipe encantado após essas lindas palavras (nem ao menos sentirá por esse eloquente locutor um tesão inexplicável e implorar para ser sua escrava sexual), fico imaginando o porquê desse costume. Talvez a sociedade machista em que vivemos tenha sedimentado nas nossas mentes que o corpo da mulher é do homem, e essa seria a maneira que ele tem de lembrar para nós, mulheres, que estamos ali simplesmente para satisfazê-los. Talvez.

Feliz dia do “ela mereceu ser estuprada, olha só as roupas que ela usava” e do “não beba demais na festa, porque os meninos podem se aproveitar de você”. Porque é muito mais lógico ensinar as mulheres a não serem estupradas do que os homens a não estuprar. Porque sim, a vítima é a responsável, não o agressor. Porque a mulher merece e o homem não precisa utilizar seu autocontrole.

Feliz dia do “você ganha 81% do salário do homem e tem que ficar feliz com isso, afinal a diferença diminuiu” e feliz dia do “mulher tem jornada dupla: dentro de casa e fora dela”. Afinal, nessas horas não somos humanas, somos super mulheres que podem ter uma vida profissional e cuidar da casa (e do marido, que afinal não tem super poderes e não pode se cuidar nem ajudar em casa, o pobrezinho). Ah, e tudo isso ganhando 81% do salário deles.

Feliz dia do “vaca destruidora de lares” e “piranha que roubou meu namorado”. Afinal, homens são prêmios a serem conquistados, e não seres que pensam e são responsáveis pelas próprias ações. Logo, se você é traída, a culpada é sempre a outra. Se um homem casado trai, quem deve ser xingada na rua é a mulher com quem ele traiu a esposa, e não ele, que é quem assumiu um compromisso e que devia fidelidade a pessoa com quem casou.

Feliz dia do “ele conseguiu a promoção no trabalho porque é competente, mas ela deve ter dormido com o chefe” e do “se a bandeirinha errou, logo ela deveria posar na Playboy e não continuar a trabalhar com todos os outros machos que NUNCA erram” porque a mulher nunca é competente o suficiente para avançar no trabalho, logo sempre deve estar usando de seus super poderes femininos (olha eles aí de novo) para conseguir isso. E se por um acaso ela cometer erros, logo outros homens podem colocá-la em seu lugar, ou seja, nas páginas da Playboy ou na cozinha, onde elas poderão cumprir sua principal função no mundo: servir aos homens.

E feliz dia do “A Marvel já tem três grandes franquias de filmes protagonizados por homens chamados Chris, mas nenhum por uma mulher” porque não existem mulheres nerds no mundo, como essa que vos escreve, por exemplo, que adorariam ver a Scarlett Johansson protagonizar seu próprio filme da Viúva Negra.

Feliz Dia da Mulher e nossa, por que será que não existe o Dia dos Homens? mari