12
03
2016

Afinal, O Que Nós Queremos?

Essa é uma pergunta que nós, mulheres, não temos ouvido o suficiente. Muitas de nós já não ficam caladas diante de alguns absurdos considerados normais pela sociedade em geral (em especial, por sua parcela masculina). E essa falta de anuência, de concordância, tem provocado muitas reações agressivas, chegando a ultrapassar limites. E aí vem a história do “é tudo mimimi”, porque é mais fácil responder isso do que tentar entender o que, afinal, nós, mulheres, queremos.

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Vou responder por mim, mas tenho certeza que a maioria das mulheres concordaria comigo na maioria das respostas.

Eu quero que parem de responsabilizar as minhas roupas ou atitudes pelas ações dos homens ao meu redor. Quero que quando for à delegacia denunciar um estupro, nunca me perguntem o que eu estava usando, porque não importa. Que quando eu diga não, o meu parceiro pare e respeite a minha decisão.

Eu quero que entendam que o corpo é meu. E não, assovios e gritos de “gostosa” no meio da rua nunca serão elogios. Também quero poder usar o que eu quiser, ao invés de ter mil e uma pessoas na minha cabeça ditando regras. Quero poder usar meu cabelo comprido/curto/colorido ou de qualquer outra maneira que eu preferir, sem ser julgada por isso.

Eu quero ser reconhecida. Quero que outras mulheres importantíssimas na nossa história também o sejam, ao invés de ouvir nas aulas de história somente dos feitos dos homens. Quero visibilidade para as nossas grandes cientistas, escritoras, atrizes, diretoras, roteiristas, advogadas, juízas, médicas e qualquer outra função que eu possa escolher, inclusive a de ficar em casa, cuidando dos filhos.

Eu quero poder escolher o meu caminho. Não, toda mulher não nasce para ser mãe. É uma escolha que grande parte de nós fazem, mas toda mulher nasce para ser ela mesma. Ser mãe pode ser uma parte da vida da mulher, se ela assim o quiser, mas não é sua obrigação. Isso também vale para casar, fazer faculdade, ser dona de casa, ser uma grande empresária… As opções são infinitas e a escolha de qual caminho tomarei deve ser minha.

Eu quero ter as mesmas oportunidades que os homens tem. Seja no ambiente profissional, no ambiente familiar… Afinal, será que não existem tantas mulheres escrevendo livros ou será que elas não tem tanta oportunidade quanto  os homens tem?

Resumindo, eu quero respeito. Quero poder emitir minhas opiniões sem que elas sejam desmerecidas pelo fato de eu ser mulher. Quero que as minhas sugestões sejam levadas a sério. Que o meu trabalho seja tão valorizado e efetivamente remunerado quanto o de um homem com a mesma qualificação que exerça a mesma função que eu. Quero ser vista antes como pessoa, depois como mãe, filha, esposa. Quero viver o meu ser mulher de maneira plena. E quero que todas as mulheres do mundo também o possam fazê-lo.

E você, mulher, o que quer?

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11
03
2016

[Blogueiros Geeks] Personagens Femininas Que Me Inspiram

E para continuar a semana de posts especiais sobre as mulheres, hoje o post é inspirado por um dos temas sugeridos pelo grupo Blogueiros Geeks para Março. Vou apresentar para vocês algumas mulheres da ficção que me inspiram. Essas personagens femininas contam a sua história, tem suas fraquezas e suas fragilidades mas também são fortes e acima de tudo decidem os seus caminhos, não dependendo de outras pessoas para isso.

personagensfemininas (mais…)

08
03
2016

[8 on 8] Livros

Estamos no dia 08 de Março, Dia Internacional da Mulher. O nosso projeto fotográfico 9 on 9 virou 8 on 8, porque uma das participantes teve que sair. 🙁 Por isso, a partir de Março os posts com as nossas fotos sairão no dia 08 de cada mês e serão, portanto, 08 fotos sobre o tema sugerido. E o desse mês é algo que eu amo muito: livros!

projeto8on8-1

Para aproveitar a deixa dos vários projetos existentes para incentivar a leitura de autoras ou então de histórias que tenham uma mulher como personagem principal, aproveitei para mostrar nesse 8 on 8 alguns livros maravilhosos, que fizeram parte da minha vida de leitora, que foram escritos por mulheres!

(mais…)

07
03
2016

#MulheresParaLer – Mulheres Escritoras e o Mundo Literário

mulheresA Iara, do canal Conto em Canto, está com um projeto maravilhoso nesse mês de março, chamado “Mulheres Para Ler”. Basicamente, o projeto tem como objetivo incentivar os leitores a lerem livros dos mais diferentes gêneros literários escritos por mulheres.

Como ela mesmo explica aí no vídeo, existe uma certa ilusão que as mulheres já são tratadas da mesma forma que os homens no mundo literário. Mas isso não é bem assim. Então, é muito comum que acreditemos que uma escritora tenha a mesma chance de ser publicada e levada a sério em sua profissão, quando a verdade é que as mulheres que escrevem acabam tendo que se contentar com certos gêneros literários que não são considerados literatura, porque a verdadeira cultura literária – hahaha – seria um privilégio masculino. *pausa para fazer cara feia aqui*

Quando eu fiz o que a Iara sugere, contar quantas autoras eu tenho na minha estante, ao contrário dela, tive um resultado que num primeiro momento parece promissor: eu tenho muitos livros escritos por mulheres na minha estante. Porém, ao analisar esse resultado, percebi que isso se deve ao fato de que o meu perfil como leitora inclui muitos livros de gêneros que não são levados a sério (algo que eu acho muito errado) como o chick-lit e livros young adult, já que a maioria deles são direcionados ao público feminino. Como são gêneros que não são considerados “literatura”, tudo bem para as mulheres escreverem.

Afinal de contas, são raríssimas as vezes que vemos um homem escrevendo chick-lit. Como se esse tipo de livro não fosse literatura. Nesse exato momento, não consigo lembrar de nenhum. E mesmo quando escrevem algo parecido (estou aqui pensando nos romances cheios de drama de Nicholas Sparks) parece que são levados mais a sério que mulheres escrevendo o mesmo gênero.

Na categoria young adult, temos uma outra situação: a maioria dos livros escritos por mulheres trazem personagens principais femininas, mas já vi alguns personagens masculinos que foram escritos por autoras. Porém, o contrário é mais difícil de encontrar: um homem que escreva uma personagem feminina principal. Para não dizer que não existem, eu me lembro da série His Dark Materials, do Phillip Pullman, que tem a Lyra como protagonista. Mas é bem menos comum. Como se escrever protagonistas femininas fosse algo inferior e o autor perdesse credibilidade ao colocar uma garota como principal em sua história. *pausa para outra cara feia*

Harry Potter - JK Rowling

Até a situação da JK Rowling é um exemplo claro disso: quando seus livros foram publicados, seu nome foi alterado para as suas iniciais, pois existia o medo de que seus livros de história de magia e aventura não vendessem tão bem se logo de cara as pessoas soubessem que se tratava de uma mulher escrevendo.

Mas como mudar isso? O que você e eu, leitores, podemos fazer para mudar a situação? A resposta é simples: leia mais mulheres. Procure por autores do sexo feminino, principalmente ao escolher livros em áreas que não tem muitos exemplos de escritoras mulheres. Assim, aos poucos, o mercado editorial talvez vá dar mais chances para que outras mulheres sejam autoras publicadas.

Existem muitas mulheres que escrevem os mais diferentes gêneros, entre romance policial, horror, ação e aventura, livros técnicos… o que elas precisam é serem lidas, para que cada vez mais possam quebrar essa barreira de que mulher só escreve chick-lit (o que, volto a frisar, não é algo ruim, já que é um gênero literário que merece a mesma importância que todos os outros e não ser considerado inferior), de que uma mulher escrevendo um gênero que não é direcionado para mulheres não deve escrever bem.

Você concorda? Discorda? E afinal, quanto da sua estante foi escrito por mulheres? Deixe sua resposta nos comentários e participe desse projeto. Vamos ler mais mulheres!

14
11
2015

Pelo Direito de Ser Quem Eu Quiser

Estava eu navegando na internet por esses dias, quando num instagram de uma blogueira até bem famosa, me deparo com a seguinte mensagem:

Num mundo cheio de Kardashians, seja Diana.

Num mundo cheio de Kardashians, seja Diana.

E aí isso me incomodou. A mensagem obviamente implica que ser uma Kardashian significa ser menos do que ser uma Diana. E como todos nós sabemos, as Kardashians são rotuladas pela mídia como espalhafatosas, usando roupas que mostram demais o corpo, publicando fotos nas redes sociais seminuas e por aí vai. Logo, a mensagem era “é melhor ser clássica e comportada do que ser desesperada por atenção”.

Mas aí eu lhe pergunto: por que? Obviamente, as mulheres comparadas na imagem acima são bem diferentes uma da outra. Vivem estilos de vida bem diferentes. Mas o que exatamente define que é melhor ser uma Diana do que ser uma Kardashian?

Mais ainda, pensando na vida que elas levaram/levam, o que seus comportamentos acabaram por definir em suas vidas? Dá para a gente determinar se Diana, em sua curta vida, foi mais ou menos feliz que Kim Kardashian?

Mas claro que para a nossa sociedade, é melhor ser uma Diana. Aguentar calada as humilhações impostas e tentar sempre sair por cima, porém sem provocar escândalos. Veja bem, não estou aqui dizendo que ela estava errada. Apenas que a maneira como ela agiu talvez funcionasse para a vida dela, mas isso nunca vai significar que ela era melhor que Kim Kardashian ou qualquer uma de suas irmãs.

E sim, uma Kardashian incomoda muito mais que uma Diana. Ao usar as roupas que quer, emitir suas opiniões de uma maneira muito mais direta e procurar sua felicidade de uma maneira não convencional, as mulheres acabam tendo esse efeito na sociedade. A sociedade em que vivemos coloca mulheres que se comportam como Diana num pedestal, simplesmente porque elas não enfrentam suas regras.

No fim do dia, sabe o que vai te fazer feliz? Ser quem você é. Se você gosta de roupas mais clássicas, se prefere lidar com seus obstáculos de maneira mais discreta, se um meio sorriso diante de uma opinião atravessada é mais a sua cara do que discutir com todas as suas forças… Maravilha. Seja essa pessoa porque é assim que você é. Lembre-se porém de que as suas opiniões importam, então não deixe ninguém te fazer de capacho.

Por outro lado, se você fala alto, gosta de roupas mais provocantes e de usar uma maquiagem mais pesada, se você se admira e gosta de publicar fotos mostrando as suas curvas… Vá em frente. Não deixe ninguém pensar menos de você por isso. O seu corpo é seu, e você escolhe o que quer fazer com ele. Você e mais ninguém.

E adivinhe só? O MUNDO NÃO SE DIVIDE EM DIANAS E KARDASHIANS, EM BOAZINHAS E MÁZINHAS. Pelo contrário, cada pessoa pode ser quem quiser ser, de acordo com suas convicções. Se não vai interferir diretamente na vida de outra pessoa, por favor, seja quem você é. Só tem um de você no mundo.

arrumei

Num mundo cheio de Kardashians, seja quem você quiser ser.

Pronto, arrumei.

07
03
2015

Feliz Dia da Mulher – Mas Por Que Não Existe o Dia do Homem?

Dia 08 de Março é, como vocês sabem, o Dia Internacional da Mulher. E, como todo ano, nós, mulheres, chegamos a esse dia para ganhar rosas de estranhos na rua ou para ouvir brincadeirinhas do tipo “por que não existe um Dia do Homem?”. Eu adoro como até no Dia Internacional da Mulher os homens conseguem fazer o assunto ser sobre eles. Troféu joínha pra eles.

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Feliz Dia da Mulher para Rose e Jackie Tyler, que acabam sendo alvo de tantos comentários machistas do fandom de Doctor Who.

Então, feliz dia do “Oh lá em casa!” ou o simples “Gostosa!” para você mulher, que passa na rua cuidando dos seus afazeres e tem que ouvir isso. PIOR, tem que achar que isso é elogio. Considerando que nenhum homem em sã consciência acredita que a mulher vai parar para conversar com ele (quem dirá agarrá-lo apaixonadamente no meio da rua) e que nenhuma mulher em sã consciência vai acreditar ter encontrado seu príncipe encantado após essas lindas palavras (nem ao menos sentirá por esse eloquente locutor um tesão inexplicável e implorar para ser sua escrava sexual), fico imaginando o porquê desse costume. Talvez a sociedade machista em que vivemos tenha sedimentado nas nossas mentes que o corpo da mulher é do homem, e essa seria a maneira que ele tem de lembrar para nós, mulheres, que estamos ali simplesmente para satisfazê-los. Talvez.

Feliz dia do “ela mereceu ser estuprada, olha só as roupas que ela usava” e do “não beba demais na festa, porque os meninos podem se aproveitar de você”. Porque é muito mais lógico ensinar as mulheres a não serem estupradas do que os homens a não estuprar. Porque sim, a vítima é a responsável, não o agressor. Porque a mulher merece e o homem não precisa utilizar seu autocontrole.

Feliz dia do “você ganha 81% do salário do homem e tem que ficar feliz com isso, afinal a diferença diminuiu” e feliz dia do “mulher tem jornada dupla: dentro de casa e fora dela”. Afinal, nessas horas não somos humanas, somos super mulheres que podem ter uma vida profissional e cuidar da casa (e do marido, que afinal não tem super poderes e não pode se cuidar nem ajudar em casa, o pobrezinho). Ah, e tudo isso ganhando 81% do salário deles.

Feliz dia do “vaca destruidora de lares” e “piranha que roubou meu namorado”. Afinal, homens são prêmios a serem conquistados, e não seres que pensam e são responsáveis pelas próprias ações. Logo, se você é traída, a culpada é sempre a outra. Se um homem casado trai, quem deve ser xingada na rua é a mulher com quem ele traiu a esposa, e não ele, que é quem assumiu um compromisso e que devia fidelidade a pessoa com quem casou.

Feliz dia do “ele conseguiu a promoção no trabalho porque é competente, mas ela deve ter dormido com o chefe” e do “se a bandeirinha errou, logo ela deveria posar na Playboy e não continuar a trabalhar com todos os outros machos que NUNCA erram” porque a mulher nunca é competente o suficiente para avançar no trabalho, logo sempre deve estar usando de seus super poderes femininos (olha eles aí de novo) para conseguir isso. E se por um acaso ela cometer erros, logo outros homens podem colocá-la em seu lugar, ou seja, nas páginas da Playboy ou na cozinha, onde elas poderão cumprir sua principal função no mundo: servir aos homens.

E feliz dia do “A Marvel já tem três grandes franquias de filmes protagonizados por homens chamados Chris, mas nenhum por uma mulher” porque não existem mulheres nerds no mundo, como essa que vos escreve, por exemplo, que adorariam ver a Scarlett Johansson protagonizar seu próprio filme da Viúva Negra.

Feliz Dia da Mulher e nossa, por que será que não existe o Dia dos Homens? mari