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03
2022

Segunda Temporada de Bridgerton na Netflix

Se você gosta desse mundo de romances, já sabe que no dia 25/03 a Netflix disponibilizou os oito episódios da segunda temporada de Bridgerton. A série é inspirada nos livros da Julia Quinn sobre a família Bridgerton, de oito irmãos, e seus erros e acertos no mercado casamenteiro da Inglaterra do século XIX. Acompanhando os livros, a primeira temporada havia focado no romance da filha mais velha, Daphne, e de Simon, o Duque de Hastings. Eu fiz um post falando sobre a temporada aqui, se você quiser saber mais.

Kate Sharma vestindo um vestido verde, Anthony Bridgertomn vestido de preto e Edwina Sharma vestida de laranja. Newton, um cachorro corgi caramelo, aparece nos pés. Todos seguram tacos e olham para frente.

Divulgação Netflix

Essa segunda temporada, porém, focou em contar a história do mais velho dos irmãos, Anthony Bridgerton, em sua jornada para achar uma esposa. E se a série tinha mudado muito da história original na primeira temporada, na segunda se afastou ainda mais do que havíamos lido. Entretanto, nem tudo foi ruim. Apesar de não concordar com absolutamente todas as mudanças, ainda acredito que existiram certas melhoras.

Aviso Sobre Spoilers

Esse post vai ficar sem grandes spoilers para a segunda temporada, porém podem ser discutidos eventos da primeira. Também podem ser discutidos pequenos acontecimentos dos livros. Ou seja, embora eu vá evitar contar o mais importante, não será possível garantir que esse texto esteja livre de spoilers.

Minha sugestão é que você assista todos os episódios da série na Netflix antes de ler qualquer artigo na internet a fim de evitar ficar sabendo de algo antes da hora. Ainda, bom lembrar que os livros já foram todos publicados e portanto, muita gente fala deles na internet. Ficar sem saber spoiler nenhum é mais complicado do que parece.

Os Atores de Bridgerton: Segunda Temporada

Primeiramente, vamos falar sobre os atores. Já conhecíamos Jonathan Bailey, que interpretou o Visconde Bridgerton na primeira temporada. Simone Ashley é a novidade para a protagonista, Kate Sharma. Aliás, aqui já temos a primeira mudança, visto que nos livros a família tem o sobrenome Sheffield. Achei essa mudança bastante interessante, pois fez de Kate uma moça indiana e apresentou um pouco da cultura do país na série. Charithra Chandran fez a irmã de Kate, Edwina Sharma.

A química entre os personagens Anthony e Kate se traduziu muito bem para a tela e foi possível se apaixonar pelo casal bem como entender toda a atração entre eles. Edwina se apresentou como uma jovem mulher ainda se encontrando, um pouco ingênua e idealista, porém logo percebemos sua força e sua personalidade.

As Principais Mudanças Entre Livro e Série

Os três protagonizam algo como um triângulo amoroso nessa temporada, algo que foi nos livros tratado de maneira diferente, porém em sua essência também existia. Afinal, a premissa da história é que Anthony decide se casar e escolhe Edwina para noiva, mas antes disso deve convencer a irmã dela, Kate. Isso não muda entre a série literária ou da Netflix.

Para mim, as mudanças na série que mais me incomodaram foram aquelas que dizem respeito ao comportamento da Kate e de como seus objetivos foram mudados para melhor atender ao drama. Vários novos elementos foram criados para justificar as atitudes de Kate e não sei se consigo simplesmente aceitar tais mudanças.

No livro, a Kate é motivada pelo amor à irmã, porém a série lhe dá uma nova motivação para garantir que Edwina encontrasse um pretendente dentro de certos requisitos. Por mais que a série tente convencer o espectador que os motivos de Kate Sharma eram puramente inocentes, não sei se conseguiu. Pelo menos, eu tive várias dúvidas. E como estamos falando da protagonista, essas pequenas dúvidas são de grande importância.

Divulgação: Netflix

Sobre a Família Sharma na Segunda Temporada de Bridgerton

E essas mudanças afetam algo que eu mais senti a diferença na série da Netflix: a dinâmica entre a família Sharma. Acho que esse foi meu principal problema assistindo. Como as irmãs se amam e se respeitam nos livros e como a mãe delas, Lady Mary, trata as duas de maneira igual, nunca sequer lembrando que Kate não é sua filha biológica, é uma das coisas mais lindas do livro.

Porém, a série da Netflix não respeitou essa dinâmica, preferindo o drama ao invés de trabalhá-lo. Existe até uma fala que escancara essa diferença de Kate não ser filha biológica de Mary ou apenas meia-irmã de Edwina, dita por uma das personagens principais. É alterar algo muito central no livro.

Além disso, existe um arco de desenvolvimento pelo qual Kate Sheffield passa no livro que foi completamente ignorado na série. Acredito que a ideia de quem fez o roteiro fosse transformar a personagem em uma mulher “mais forte”, mas que acabou caindo na falácia e nos clichês que já vimos tantas vezes em várias séries.

Não adianta simplesmente ter uma personagem feminina que desafia as convenções sociais e caça com os homens, isso não é uma mulher forte. Mulher forte é aquela que enfrenta seus medos e que descobre seu valor. Esse último faz parte da história de Kate nos livros, mas na série sua história foi rebaixada ao primeiro. Lamentável.

O que me deixa mais triste é que a Kate é uma personagem que eu gosto bastante e as mudanças que fizeram na adaptação infelizmente apagam um pouco do que mais me atraiu na personagem.

Pontos Positivos na Segunda Temporada de Bridgerton

Dito isso, nem tudo foi ruim nessa segunda temporada de Bridgerton. Pelo contrário, a série em si é muito boa e se não houvesse o livro para comparar, eu provavelmente teria gostado muito mais.

Quanto à parte técnica, por exemplo, não há como reclamar. É uma série com cenas lindamente filmadas e logo se vê todo o cuidado com cenário e figurino. As festas, os bailes, as casas de campo e os palácios: foi tudo pensado nos mínimos detalhes.

Ainda, as histórias secundárias foram bem trabalhadas. Um dos problemas da maioria dos romances de época é que os livros costumam focar quase que exclusivamente no casal principal. Em Bridgerton, ainda há a trama sobre quem seria Lady Whistledown, mas quem leu os livros sabe que tal mistério não é algo tão grande quanto é na série. Isso quer dizer que os personagens secundários somem nas histórias, o que numa adaptação para série de tv seria um problema.

A segunda temporada de Bridgerton trabalha bem essas histórias paralelas, por assim dizer. Por exemplo, existe toda uma trama acontecendo na casa Featherington. O novo herdeiro chegou e agora deve cuidar da bagunça que o Lorde Featherington anterior deixou. E a mãe de Penelope não vai deixar nada acontecer sem sua aprovação.

A Rainha Charlotte também não irá ficar quieta. Assim como na primeira temporada, a Rainha fará questão de dar as cartas no grande jogo da alta sociedade. Claro, tentará a todo custo derrotar Lady Whistledown em seu próprio jogo.

Por fim, Eloise Bridgerton terá sua primeira temporada, contra a sua vontade. Ela irá, como esperado, para lugares que uma jovem dama da sociedade à procura de um marido nunca poderia sonhar. E isso talvez afete sua amizade com Penelope Featherington.

O Que Eu Gostaria Que Tivesse Sido Diferente na Segunda Temporada de Bridgerton

Quando eu dei play na nova temporada, eu obviamente não esperava que fosse igual ao livro. Na verdade, eu nunca espero que uma adaptação para série de um livro siga o material original. Traduzir um livro para cenas nem sempre é algo tão fácil. Então, o mais comum é que seja criado um roteiro que faça a série mais interessante para o espectador.

Porém, algumas mudanças eu não entendo como necessárias. Como já discuti, eu gostaria que um cuidado maior tivesse sido dado à personagem da Kate e a seus relacionamentos com a irmã e a mãe.

O romance na série é um slow burn, ou seja, ele demora a acontecer durante os episódios. O problema é que eu acho que demorou demais e não foi dada a atenção necessária ao amor entre Kate e Anthony, que deveria ser um enredo principal nessa segunda temporada de Bridgerton. Quando acontece, não tem o peso que deveria ter. A grande história de amor entre os dois é mais uma das várias histórias na série, enquanto na primeira temporada o romance de Daphne e Simon foi a força motriz que deu impulso às demais histórias.

Comparando O Material Original e a Adaptação

A verdade é que O Visconde Que Me Amava é um livro melhor do que O Duque e Eu e acho que isso atrapalhou um pouco na hora de se adaptar a história. Por isso quando eu avalio a série por si só, eu dou uma nota alta, 8.5/10. Com certeza vou assistir as próximas temporadas, mas tentarei não comparar com o material original.

Agora, quando eu lembro que existe um livro em que a série foi baseada e eu faço a comparação, a série da Netflix perde e muito seu brilho. Aí minha nota cai para 6. E isso que eu estou sendo generosa. Enfim, minha nota não tem importância nenhuma, mas coloco um número para exemplificar de forma clara os meus sentimentos.

Sobre As Futuras Temporadas

Bridgerton está renovada para a terceira e quarta temporadas. Se seguirmos a ordem dos livros, os próximos irmãos a terem suas histórias contadas são Benedict e Colin. Porém, existe um boato de que a série será adaptada de maneira diferente e alguns acontecimentos nessa segunda temporada indicam que algo diferente está sendo planejado.

Por exemplo, as histórias de Benedict e Colin podem ser contadas juntas, já na próxima temporada. Isso poderia adiantar um pouco os acontecimentos da história em geral, mas faria sentido, principalmente porque os atores que fazem os irmãos Bridgerton mais novos, Hyacinth e Gregory, já estão bastante crescidos. Poderia ser uma maneira de se evitar problemas nesse sentido.

Eu acho que seria uma boa alternativa, pois também temos que ter a história de Penelope sendo contada. E pensando em onde a segunda temporada de Bridgerton deixou a personagem, talvez seja a única maneira de contar a história dela sem ter que enrolar mais uma temporada. E seria enrolar.

Mas enfim, depois dessa temporada, já não tenho muitas esperanças de ver as histórias pelas quais me apaixonei nas telas. Talvez isso não seja ruim, mas acredito que vou gostar mais se separar na minha mente a história dos livros e a da série na Netflix.

E você, gostou dessa temporada? Quais suas partes preferidas?

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1 Comentário
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Bruna Both
1 mês atrás

Quando lançou a primeira temporada, eu cogitei a ideia de ler antes e assistir depois, mas acabei fazendo o contrário para não me decepcionar com a adaptação. Assisti sem ler e foi bom desse jeito. Agora que lançou a segunda já nem me preocupei em ler antes hahaha O Visconde que me amava já está na minha readlist agora.

Achei tua análise muito boa! Abraços